PROJETO SOCIAL
E CULTURAL PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
NA REGIÃO DE ITACARÉ,
BAHIA, BRASIL.
Introdução:
Um projeto de auto ajuda está nascendo para ajudar á jovens com poucas oportunidades, criar um futuro com bem estar e prosperidade. O projeto oferece tres fases aos participantes. A primeira fase é de instrução tecnica, a segunda fase é de experiencia pratica, e a terceira é gerar
uma renda que possa lhes dar a oportunidade de serem auto sustentaveis.
Para oferecermos tudo isto, vamos fazer uma infra estrutura, incluindo acomodação, oficinas, um restaurante, uma loja, um palco, uma estufa, um horta etc. Apos isto vamos precisar de transporte, como um barco, uma canoa e um carro 4X4. O projeto será uma cooperação entre todos os participiantes. Todos os professores e instrutores vão trabalhar como voluntários.
Localização:
Compramos uma propriedade no Rio da Contas,
ao lado de Itacaré, na Bahia, Brasil. Chega-se no terreno de barco, canoa direto de Itacaré, ou de carro atravessando o rio pela balsa. Com um barco a motor, essa viagem leva 5 minutos e de canoa 15 mintuos. As visitas e futuros clientes do restaurante e loja vão
chegar de canoa.
O terreno tem 20 hectares que inclui 10 hectares de Mata Atlantica virgem. Tem coqueiros, cajueiros, dende, muitas outras arvores frutiferas e uma plantação de abacaxi. Tem tambem varios poços
de agua.
PROJETO E PROPOSTO
Fazenda Modelo Quilombo D’Oiti
Programa de Sustentabilidade Comunitária
1. Caracterização da Proposta
Localização: Município de Itacaré, Sul da Bahia.
Bioma: Mata Atlântica
Instituição Proponente: Associação de Educação, Arte, e Cultura Popular Casa do Boneco de Itacaré
Coordenador: Antônio Jorge de Jesus
Definição resumida: empreendimento rural focado no desenvolvimento comunitário através do fortalecimento do saber cultural local para inclusão empreendedora de jovens e adultos da comunidade.
2. Contexto histórico
A palavra Quilombo é originária do idioma africano quibundo, que significa: “sociedade formada por jovens guerreiros que pertenciam a grupos étnicos desenraizados de suas comunidades”. No Brasil, historicamente foram lugares de resistência ao processo de escravidão. Quilombo também recebeu outras denominações como “mocambos”, “terras de preto”, “território negro”, dentre outros.No sul da Bahia, em Barra do Rio de Contas, atual Itacaré, foi descoberto, no inicio do século XIX, o quilombo do Oitizeiro, onde conviviam escravos e gente livre. O Quilombo do Oitizeiro foi um dos mais importantes dessa região e o mais marcante no imaginário social local. A denominação da Fazenda Modelo é uma abreviação do nome Oitizeiro.
Atualmente, o conceito de quilombo se baseia no decreto 4887 de 2003 expedido pela Fundação Cultural Palmares que considera remanescentes de quilombos os grupos étnico raciais, segundo critérios de auto atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão vivida.
A Comunidade local de Itacaré é predominantemente composta por remanescentes de quilombos, tanto em área urbana quanto em área rural. Apesar da importância história e de grandes legados culturais, essa população negra representa no Brasil os piores Índices de Desenvolvimento Humano – IDH – principalmente na região norte e nordeste do país.
Em Itacaré, o turismo desordenou ainda mais a disposição social, por que aumentou as desigualdades e fez da população negra um grupo alvo da super exploração do trabalho, exploração sexual, marginalização e do subemprego.
3. A atuação da Casa do Boneco
A Casa do Boneco de Itacaré é uma associação sem fins lucrativos, que desde 1988 trabalha com a cultura a serviço da população afro indígena, historicamente excluída. O seu trabalho alia identidade cultural à sustentabilidade sócio econômica a partir de um trabalho de educação afro popular, engajamento político e capacitações profissionalizantes.
A entidade busca alternativas que possam diminuir os impactos sócios culturais gerados pelo contexto do turismo à comunidade quilombola, introduzindo seus membros nas carreiras da dança, da música, do teatro e da produção local de artesanato, de trabalhadores do setor de serviços, gerando inclusão através do setor do Turismo Étnico de Base Comunitária. A entidade tem a preocupação de gerar um outro processo educativo, capacitar, viabilizar a profissionalização e aumentar a auto-estima da população local que está ficando à margem da sociedade.
4. Turismo Étnico de Base Comunitária
O Turismo de Base Comunitária (TEBC) não significa apenas inserir a comunidade, muito menos se restringe a um novo setor de mercado. É um fenômeno social complexo pois visa resignificar códigos e símbolos a partir da compreensão da realidade local e da identidade negra. Os protagonistas desse destino são sujeitos e não objetos do processo. Promove a qualidade de vida, o sentido de inclusão, a valorização da cultura local e o sentimento de pertencimento. Em relação aos aspectos étnicos, trata-se de fenômenos sociais que refletem as tendências positivas de identificação e inclusão de certos indivíduos num grupo étnico. A distintividade dessa identidade, para caracterizar um grupo étnico, deve se remeter a noções de origem, história, cultura e, até, raça comuns.
TEBC implica não apenas a interpretação simplista e estereotipada de um grupo social étnico desfavorecido que recebe outsiders curiosos e ávidos pelo exotismo em seu convívio cotidiano, para o aumento de sua renda e melhoria social, mas antes de tudo, significa encontro e oportunidade de experiência compartilhada. Para Jovchelovithc (1998) é no encontro que saberes sociais se produzem e são renovados laços de diferença e solidariedade, que envolvem o sentido de comunidade e pertencimento.
Esse turismo tem como premissas básicas:
a) Base Endógena da Iniciativa – desenvolvimento local de dentro para fora – o turismo surge de uma demanda social a partir de uma proposta que emerge da comunidade afro descendente organizada , propondo uma atuação que visa o desenvolvimento local.
b) Participação e protagonismo social no planejamento, atuação e implementação de projetos turísticos
c) Escala Limitada e impactos sociais e ambientais controlados.Primeiro plano passa a ser a sustentabilidade social e ambiental e não a exploração econômica.
d) Geração de benefícios diretos à população local – tem que assegurar dispositivos e mecanismos para que os recursos sejam reaplicados em projetos de melhoria de qualidade de vida a partir das demandas locais e para o coletivo.
e) Formação cultural / Inter culturalidade - Não apenas qualifica o produto / dialoga com outras culturas
f) O encontro como condição primordial - Encontro entre individualidades – compartilhar e aprender mutuamente. Entre “o que recebe” e “o que é recebido” para a troca de valores reais e destes com o ambiente em que interagem. Experiência integral do turista. Pertencimento, afirmação das identidades.
5. A Fazenda Modelo – apresentação da proposta
5.1 Definição e princípios
A Fazenda Modelo Quilombo D´Oiti tem como visão se tornar um centro de desenvolvimento afro comunitário baseado na aprendizagem auto-sustentável, considerando, prioritariamente os seguintes princípios:
Etno racial
Trabalho de reapropriação da identidade afro-descendente, para elevar o valor e a beleza da cultura negra, e, sobretudo, para a contestação, a reparação e a afirmação da posição dos negros e negras na sociedade atual, em decorrência dos estragos históricos que lhe foram feitos.
Ecológico
Princípio que acompanha a busca etno racial, pois o povo africano é ecologista e a sua forma de vida ancestral está toda relacionada aos elementos da natureza . A proposta da fazenda é alicerçada em princípios da permacultura e da agroecologia no esforço de estar ecologicamente correta, harmonizando todas as ações, onde a conservação e o saber da natureza tem que acompanhar os outros saberes.
Sócio econômico
Proposta de organização e produção coletiva, de “inclusão” e reintegração social, que promova o desenvolvimento local e fortaleça as relações entre as pessoas, a partir de valores de organização coletiva herdados das sociedades indígenas, africanas e quilombolas. Tem na Economia solidária uma referência pois além da vivência associativista, almeja a implementação do cooperativismo nos próximos meses.
Cultural
Símbolos e significados de um modo de vida peculiar das comunidades negras descendentes no Brasil de africanos escravizados.
Espiritual
A vivência do Candomblé enquanto religião de matriz africana que além de ser fonte de sabedoria, fortalece as energia espirituais, a identidade ancestral garantindo a sustentabilidade espiritual de todas as ações.
5.2 Eixos
O entendimento da proposta da Fazenda Modelo Quilombo D’Oiti, perpassa a visualização dos seguintes eixos centrais:
1) Implementação de Vila Comunitária
Espaço de habitação com casas construídas no modelo de bio-construção e convivência, baseado na aprendizagem auto-sustentável. A primeira prioridade para ocupação dessa vila será para os membros da Casa do Boneco de Itacaré (CBI) e a segunda será para as pessoas mas necessitadas da comunidade negra local. O formato dessas famílias não necessariamente obedece aos padrões tradicionais – podem ser, por exemplo, um grupo de jovens.
A idéia é de se terem 5 famílias daqui a um ano. Haverá uma projeção técnica da quantidade de famílias que serão instaladas a longo prazo para controlar o impacto ambiental.
2) Educação
Haverá uma continuada formação e capacitação de membros da comunidade e visitantes, sendo previstos desde já dois espaços:
- Escola formal, baseada na Educação Quilombola
Escola que está dentro do formato das leis, 10639-2003 e 11645-2008 que tratam da reparação afro indígena na educação. O currículo também inclui programas de educação informal (dança, musica, percussão, agricultura, arte circense, teatro, artesanato) A proposta é iniciar com as classes de ensino básico (de 1* a 4* série), ampliando aos poucos.
- Centro de Formação Profissionalizante
Atuará focado em ministrar cursos, realizar intercâmbios e estágios pra trocas de saberes entre estudantes, pesquisadores, universidades e grupos formais e informais. Os temas prioritários estarão interligados à vida e cultura local, como por exemplo culinária afro, floresta, pesca, artesanato, fitoterapia, dentre outros .
3) Serviços de Turismo Étnico de Base Comunitária
Estratégia de inclusão social da comunidade local a partir da venda de produtos e serviços turísticos (trilhas, passeios, artesanato, roupas em moda afro), apresentações culturais, gastronomia, hospedagem, festivais, receptivo, ambientação, recreação, etc. Nessa estratégia, o ator local é promotor de um turismo com identidade cultural.
4) Auto Sustentabilidade Econômica
A Fazenda Modelo, além de ser um pólo de formação e de prestação de serviços, também será de produção de produtos agro pecuários orgânicos; Fabricação de instrumentos musicais; produtos áudio visuais, Marcenaria – entalhe, trabalho com madeira ecologicamente correta, Casa de Farinha, Beneficiamento da cana, Ateliê de corte e costura, Manufatura de côco e cerâmica, dentre outros.
A perspectiva é uma projeção de geração de trabalho e renda, com modelo inovador de inclusão social com repercussões de âmbito nacional e internacional, que extrapola parceiros de TEBC para garantir a auto sustentabilidade econômica da comunidade.
6. Cenário atual
Infraestrura: Já foi concluído o galpão de artesanato, 2 banheiros e o tanque de ferro e cimento para captação de água da chuva; o restaurante comunitário e o cais estão em fase de conclusão até outubro de 2009
Capacitações: 35 pessoas estão diretamente envolvidas em encontros de formação permanentes em Turismo Ètnico de Base Comunitária; já aconteceu na um curso de Permacultura e Bio Construção e de Horticultura orgânica e acontece permanentemente há 2 anos o curso de corte e costura e há 10 anos as capacitações em percussão e dança afro. Os próximos cursos previstos são de Gastronomia, Agenciamento e receptivo e Confecção de Instrumentos musicais.
Produtos e serviços: As equipes de atuação do Programa estão em fase de organização interna para gerar a produção e os serviços para iniciar inclusão no mercado a partir de dezembro de 2009
7. Priorização das Demandas
A Fase atual que antecede a abertura formal da proposta para funcionamento com visitação de turistas, tem as seguintes prioridades na aplicação de recursos financeiros de apoios institucionais:
- Apoio de assistência técnica para planejamento da propriedade. Há necessidade de técnicos nas áreas: Biologia, Engenharia Florestal, Agroecologia, Bio engenharia, Criação de pequenos animais.
- Apoio Institucional para cobrir despesas administrativas: Equipe técnica administrativa (1 gerente financeiro, 1 contador, 1 administrador de campo); Material de consumo administrativo e despesas básicas de água, luz, transporte e telefone. Apoio necessário por um prazo mínimo de 2 anos até que a proposta tenha sustentabilidade suficiente para financiar essas despesas.
- Apoio inicial por 4 meses de capital de giro para adquirir matérias primas e alguns equipamentos que faltam para confecção de roupas, produção áudio visual, matrizes e mudas agropecuárias e instrumentos musicais e alimentos para o restaurante
- Apoio para implementar plano de comunicação regional e internacional da proposta
- Apoio para continuar as obras de infraestrutura.
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